Academia, indústria e comunidade em um mesmo espaço

Entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026, tive a oportunidade de participar, representando a PerfilGlobal, da XVII Escola Regional de Alto Desempenho do Estado de São Paulo — ERAD-SP 2026, realizada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, a EACH-USP, em São Paulo.

Participamos do evento em conjunto com a Dell Technologies, como patrocinadores, reforçando nosso compromisso com o desenvolvimento do ecossistema brasileiro de Computação de Alto Desempenho, Inteligência Artificial e infraestrutura científica.

Promovida pela Sociedade Brasileira de Computação e pela Comissão Regional de Computação de Alto Desempenho do Estado de São Paulo, a ERAD-SP estimula estudos, pesquisas e formação profissional em computação de alto desempenho, arquitetura de computadores, sistemas distribuídos e processamento paralelo. Suas aplicações alcançam biologia, engenharias, física, matemática, medicina, química, ciência da computação e muitas outras áreas.

Vinicius Cabelleira durante a participação da PerfilGlobal na ERAD-SP 2026.
Vinicius Cabelleira durante a participação da PerfilGlobal na ERAD-SP 2026.

Mais do que tecnologia: construindo capacidade científica

Eventos como a ERAD-SP têm importância especial para a ciência brasileira. Supercomputação não é apenas a aquisição de servidores, GPUs, redes de alta velocidade ou sistemas de armazenamento. Uma infraestrutura computacional realmente relevante exige formação de pessoas, pesquisa, domínio tecnológico, software, conhecimento científico e capacidade de transformar recursos computacionais em resultados.

Esse conceito apareceu de maneira muito clara na programação. Uma das palestras convidadas, conduzida pelo Prof. Pedro Leite da Silva Dias, do IAG-USP e diretor-geral do C3SP, trouxe o tema “Supercomputação no Brasil: máquinas se compram, capacidade se constrói”.

A frase sintetiza um desafio central: equipamentos são indispensáveis, mas o impacto surge quando infraestrutura, pessoas, aplicações, operação e estratégia evoluem em conjunto. Essa reflexão é particularmente importante no momento em que HPC e Inteligência Artificial assumem uma posição cada vez mais estratégica para universidades, centros de pesquisa, governo e indústria.

Prof. Pedro Leite da Silva Dias apresenta sua visão sobre a evolução do HPC no Brasil.
Prof. Pedro Leite da Silva Dias apresenta sua visão sobre a evolução do HPC no Brasil.

HPC, GPUs e Inteligência Artificial convergindo

A programação demonstrou como as fronteiras entre HPC, Inteligência Artificial, processamento de dados e computação acelerada estão cada vez mais integradas. Ao longo dos três dias, o evento reuniu discussões sobre computação paralela e GPUs, arquiteturas reconfiguráveis e aceleradores, IA, LLMs e inferência, algoritmos paralelos, otimização, sistemas e infraestrutura para HPC.

Além dos trabalhos científicos, palestras e minicursos abordaram desafios concretos de arquitetura, processamento de grandes volumes de dados, Machine Learning, refrigeração líquida, aceleradores e evolução das plataformas de alto desempenho.

A própria EACH-USP apresentou exemplos do uso de HPC em pesquisas de astrofísica: simulações magnetohidrodinâmicas, paralelização híbrida com MPI e OpenMP, análise e visualização de grandes volumes de dados e perspectivas de uso de GPUs e arquiteturas heterogêneas. São demonstrações práticas de como a infraestrutura computacional amplia a escala e a profundidade da investigação científica.

A aproximação entre mercado e academia

Um dos aspectos que considero mais relevantes em eventos como a ERAD-SP é aproximar dois ambientes que precisam estar cada vez mais conectados: academia e indústria.

De um lado, pesquisadores, professores, estudantes e grupos científicos desenvolvem algoritmos, modelos, aplicações e conhecimento. Do outro, fabricantes, integradores e empresas de tecnologia acompanham uma evolução extremamente rápida de processadores, GPUs, interconexões, armazenamento, software e infraestrutura de Data Center.

Quando esses universos se encontram, surgem discussões produtivas. O mercado compreende melhor os desafios reais dos pesquisadores, enquanto a comunidade acadêmica tem contato direto com novas arquiteturas e possibilidades de infraestrutura. Essa troca ajuda futuros projetos de HPC e IA a nascer não apenas de listas de especificações, mas dos workloads, das aplicações científicas e dos resultados que a infraestrutura precisará entregar.

Relacionamento e troca de conhecimento no espaço da PerfilGlobal, Dell Technologies e NVIDIA.
Relacionamento e troca de conhecimento no espaço da PerfilGlobal, Dell Technologies e NVIDIA.

Dell AI Factory: das ideias à inovação

A participação da Dell Technologies trouxe à programação uma discussão diretamente ligada à evolução das infraestruturas para Inteligência Artificial e HPC. A palestra apresentada por Leonardo Delatim, Senior Principal Engineer da Dell Technologies, teve como tema “Dell AI Factory: O caminho para acelerar das ideias à inovação com IA e HPC” e integrou o terceiro dia do evento.

Discussões como essa mostram como a infraestrutura se tornou parte central da estratégia de IA das instituições. Compute acelerado, redes de baixa latência e alta largura de banda, armazenamento de alto desempenho, gerenciamento de grandes volumes de dados e arquiteturas adequadas aos diferentes workloads precisam ser analisados como componentes de um único ecossistema.

Uma AI Factory não é simplesmente um conjunto de GPUs. É uma cadeia completa que transforma dados em modelos, modelos em inferência e inferência em impacto. Essa visão sistêmica também aproxima os princípios de IA dos fundamentos construídos há décadas pela comunidade de HPC.

Leonardo Delatim apresenta a Dell AI Factory no encerramento da programação técnica.
Leonardo Delatim apresenta a Dell AI Factory no encerramento da programação técnica.

Construindo o próximo capítulo da ciência computacional brasileira

Para nós, da PerfilGlobal, participar da ERAD-SP junto à Dell Technologies representa mais do que estar presente em um evento técnico. Significa estar próximo da comunidade que pesquisa, desenvolve e utiliza computação de alto desempenho no Brasil.

São pesquisadores, universidades, centros de supercomputação, estudantes e profissionais que transformam capacidade computacional em avanços científicos. À medida que Inteligência Artificial, simulação científica, Digital Twins, previsão climática, descoberta de materiais, bioinformática e tantas outras áreas demandam infraestruturas mais sofisticadas, a aproximação entre ciência, tecnologia e mercado torna-se ainda mais necessária.

A ERAD-SP cumpre um papel importante ao criar espaço para formação, apresentação de pesquisas, debate tecnológico e intercâmbio entre diferentes gerações da comunidade. Foi uma excelente oportunidade de aprendizado, relacionamento e troca de conhecimento. Que venham as próximas ERADs — e os próximos desafios da computação de alto desempenho brasileira.

Fontes oficiais

ERAD-SP 2026 — apresentação oficial ↗ERAD-SP 2026 — palestras e programação ↗ERAD-SP 2026 — local do evento ↗
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ERAD-SP 2026: conectando academia, indústria e o futuro da computação de alto desempenho no Brasil

Entre os dias 2 e 4 de setembro, participei, representando a PerfilGlobal, da XVII Escola Regional de Alto Desempenho do Estado de São Paulo, realizada na EACH-USP.

Participamos em conjunto com a Dell Technologies, como patrocinadores, reforçando nosso compromisso com o ecossistema brasileiro de HPC, Inteligência Artificial e infraestrutura científica.

A programação deixou uma mensagem muito clara: supercomputação não é apenas adquirir servidores, GPUs, redes ou storage. Máquinas se compram; capacidade se constrói com pessoas, pesquisa, software, domínio tecnológico e aplicações científicas.

Também ficou evidente a convergência entre HPC e IA. Computação paralela, GPUs, aceleradores, LLMs, inferência, refrigeração líquida e arquiteturas heterogêneas já fazem parte de um mesmo ecossistema.

A palestra de Leonardo Delatim sobre Dell AI Factory reforçou essa visão integrada: compute acelerado, fabric, dados, storage e operação precisam ser pensados a partir dos workloads e resultados esperados.

Eventos como a ERAD-SP aproximam academia e indústria, ajudam o mercado a compreender desafios científicos reais e permitem que pesquisadores conheçam novas possibilidades de infraestrutura.

Foi uma excelente oportunidade de aprendizado, relacionamento e troca de conhecimento. Que venham as próximas ERADs e os próximos desafios do HPC brasileiro.

Artigo completo no meu site.

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